Em pauta, a América
Latina
Como anda a política, economia, a visão
social e quais são os grandes desafios da América
Latina nesse século?
Questões como essas foram abordadas na palestra
sobre América Latina, realizada no cursinho
Prestes Vestibulares em Carapicuíba, no sábado,
dia 27 de outubro.
O debate contou com a presença do representante
do Consulado Cubano, Carlos Trejo
Sosa, da professora argentina do
Departamento de Geografia da USP, Mônica Arroyo,
e do professor de Geografia da
Universidade de Guarulhos, Vicente Eudes Lemos,
que moderou o debate.
Entre os principais temas, a polêmica sobre
o governo cubano, liberdade de imprensa, educação
na América latina, economia, ALCA, Mercosul
e socialismo.
O debate começou com a leitura de uma carta,
redigida por uma aluna do cursinho em apoio aos
cinco cubanos presos nos Estados Unidos pelo governo
Bush.
Carlos Trejo Sosa, Consul cubano,
contou como é a educação hoje
em Cuba. “O aluno tem acesso à educação
em todos os níveis escolares, gratuitamente,
desde o primário ao doutorado. Estudantes
de todo o mundo vão a Cuba à procura
de um bom ensino na área médica”,
explicou. De acordo com Sosa, há 75.000 médicos
formados em Cuba. Exemplo desse vinculo
é Amanda, uma ex-aluna do cursinho Prestes,
que hoje está realizando o sonho de estudar
medicina em Havana.
“É com grande alegria que ajudamos
os brasileiros, formando médicos e dando
apoio ao povo, como na época da ditadura
militar” diz Sosa.
Em contrapartida, o reconhecimento do diploma ainda
é uma batalha. De acordo com a reportagem
Direito de Sonhar, da Revista Fórum de Setembro
de 2007, muitos estudantes retornam ao Brasil como
clínicos gerais e não podem exercer
a profissão enquanto não tiverem seus
diplomas validados por uma universidade pública
brasileira, além de não serem considerados
aptos para disputar exames para residência
médica. Todo esse desacordo vem dividindo
entidades médicas, militantes e até
mesmo o Ministério da Educação
(MEC). Por enquanto, nenhum dos 150 que já
retornaram de Cuba conseguiu autorização
para trabalhar. O governo brasileiro procura acordo
com Cuba para solucionar o problema.
A professora Mônica Arroyo,
estudiosa nas questões sociais latino-americanas,
disse que os países do eixo sul-americano
são diferenciados por sua diversidade étnica,
composta por negros, brancos e indígenas,
além de muitos recursos naturais. Existem
semelhanças no crescimento das principais
cidades no modo vertical e periférico. A
professora avalia os condomínios fechados
como uma forma de segregação social.
No continente latino-americano, a economia tem grande
força de crescimento em vários setores.
Segundo ela, para se obter conquistas e melhores
condições para o povo, é necessário
mobilização. “Somente com a
mobilização das classes desfavorecidas
poderemos obter mais igualdade. E essa não
é uma visão romântica”.
O modo de colonização dos países
latino-americanos foi idêntico, baseado na
exploração e no colonialismo. De acordo
com Arroyo, os governos progressistas deveriam procurar
uma integração, união de forças
para melhorar a situação do continente.
Sobre a ALCA, Área de Livre Comércio
das Américas, a professora chamou a atenção
para a importância de focar as interações
culturais e não, apenas, promover crescimento
de grandes empresas. Da mesma forma, o Mercosul
deveria aumentar o vínculo entre diferentes
culturas, e não apenas visualizar o lado
econômico.
O futuro da revolução
Interrogado sobre um suposto fim do socialismo
em Cuba, quando a morte de Fidel vier, Sosa mostrou-se
firme aos pensamentos revolucionários e disse
acreditar que o País continuará no
mesmo sistema socialista. “Se quando ainda
éramos novos na revolução,
diante da Crise dos Mísseis, com poucos recursos,
conseguimos superar, quem dirá hoje, com
nosso povo unido”.
Quando questionado a respeito da imprensa e tecnologia
em Cuba, Sosa respondeu dizendo que há jornais
para vários tipos de idades e ocupações
como jovens, estudantes, mulheres, trabalhadores,
etc. Quanto ao setor tecnológico, Sosa argumentou
que há problemas e atrasos exemplificou:
muitas vezes, durante uma cirurgia não há
bisturi, por ser um material importado, o que obriga
os profissionais a buscarem alternativa. Mas, o
representante do Consulado Cubano falou que a tecnologia
na área médica permitiu que os pesquisadores
cubanos produzissem novos tipos de vacina.
Segundo ele, dentro das prisões cubanas há
universidades, possibilitando assim uma volta do
infrator à sociedade. “O pensamento
humanista dos cubanos é muito forte. Por
isso, temos baixo nível de preconceito étnico,
religioso e sexual”.
A palestra esclareceu importantes questões
sobre o continente, dando a oportunidade para debates
e uma visão crítica dos participantes.
Texto: Amauri Fernando Moura
Veja aqui a matéria no Sitio da Embajada de
Cuba >