| Iracilda
Lopes Guimarães
Aprovada em Pedagogia (2003), na PUC, com
acerto de mais de 50% em todas as provas,
conseguiu bolsa de 60% e o restante pagará
depois que concluir o curso. Também
foi contemplada com bolsa-alimentação.
Com um filho de nove anos para sustentar,
Cida (como é carinhosamente tratada
no cursinho) quer mudar sua condição
de costureira, profissão que exerce
com maestria, mas como ela mesmo diz não
precisa de conhecimento teórico.
O primeiro passo já deu. Por meio
de contatos no cursinho ficou ciente do
sistema de bolsas que a PUC oferece para
alunos carentes e isso a estimulou a buscar
a sua vaga.
“Sempre estudei em escola pública
e me formei em 1997. Como não tinha
condições de pagar um cursinho
comercial, fiquei sem estudar até
ficar sabendo do Prestes, numa fila de banco.
Entrei em 2002 na turma de maio e foi fundamental
para meu ingresso na PUC e também
para valorizar ainda mais o sentimento de
solidariedade, que encontrei neste espaço.
Quando achava que não conseguiria
acompanhar o conteúdo, recebia incentivos
e não me deixaram desistir. A equipe
é muito profissional, mas, mais do
que isso, encontrei aqui amigos que nos
estendem as mãos. Acho que o ponto
forte do cursinho é a solidariedade.
Encontrei tanta ajuda que não consigo
me afastar e, hoje, ajudo na administração/coordenação
para ajudar a fazer pelos alunos o mesmo
que fizeram por mim..”
Vagner
Carrara
22 anos, ingressou em 2001, na FATEC-SP,
no curso Mecânica de Precisão
“Nosso Brasil está incluso
em uma horrível estatística
de ser dono de um dos piores índices
de aproveitamento escolar. Uma causa pode
ser o contraste entre o que se aprende na
escola e o que se aplica na sociedade”.
Devido a estes pequenos problemas, possuímos
um sistema acadêmico que não
comporta a nossa população.
Para o ensino superior não há
vagas suficientes nas universidades públicas.
Por falar em ensino superior, temos aqui
uma das grandes barreiras da vida de um
estudante: o vestibular. Como alternativa
para o ingresso na universidade, muitos
são obrigados a enfrentar o famoso
cursinho. No caso do cursinho "Prestes
Vestibulares", além de abrir
o caminho à universidade ainda, e
não menos importante, deixa disponível
a inclusão social. Através
desta inclusão é que ocorre
a grande transformação de
cada cidadão. Atividades de cooperação
fomentam maior integração
social tanto no cursinho como na vida. Além
disso, por se tratar de um centro de formação,
disponibiliza projetos satélites
que intensificam o vínculo com a
população.”
Anderson
Inocêncio, 26 anos
Foi da primeira turma de alunos do cursinho,
o primeiro a ingressar na USP, em 2000,
onde cursa Física.
“Quando entrei na primeira turma
do cursinho, tinha uma boa base de exatas,
mas quase nenhuma de humanas. E o cursinho
me ajudou muito na parte de humanas e a
aperfeiçoar a de exatas. O ponto
forte do projeto é a união
dos integrantes do cursinho, tanto alunos
como professores.”
Rubenilda
Gomes da Silva (coordenadora pedagógica
do cursinho)
Ingressou em 2001, em Pedagogia, na PUC,
conta com bolsa integral e desenvolve projeto
de iniciação científica.)
“O grande mérito do cursinho,
por meio de sua equipe, é a conscientização
crítica que desperta nos alunos,
mostrando que eles são capazes de
ingressar numa universidade pública
e de mudar a condição de vida
deles, buscando viver num mundo mais solidário.
A cada ano, me empolgo mais com o projeto
e com iniciativas que desenvolvem, como
por exemplo, a sessão de filmes infantis
que passaremos às crianças
carentes da região, a biblioteca
comunitária que pretendemos montar
para realizarmos grupos de leitura, assim
que a prefeitura liberar as salas que a
Cohab nos cedeu para esse projeto. Tudo
isso são exemplos para meus filhos
de 12, 13 e 17 anos, que querem participar
desses projetos. Não consigo estimulá-los
à leitura em casa e poderemos conseguir
isso nesse espaço. Isso é
muito gratificante para mim, como mãe
e como cidadã que consegui, nestes
quatro anos, desenvolver e ampliar minha
consciência crítica, tendo
como meta o social. Meu filho de 17 anos,
está fazendo o cursinho e está
todo empolgado para lutar por uma vaga numa
universidade pública, no curso de
mecatrônica. Ele se sentia desestimulado
na escola, onde alguns professores dizem
que os alunos do ensino público não
têm condições de ingressar
numa universidade pública. Depois
que entrou no cursinho, já pensa
diferente. Sabe que é capaz, mas
terá de se preparar para concorrer
com os mais privilegiados. Fiquei muito
emocionada quando ele me falou isso, pois
a minha trajetória não foi
fácil.
Depois de casada e com três filhos,
meu irmão que com muita luta entrou
na USP (onde atualmente desenvolve mestrado
em Química e é professor do
cursinho) incentivou meus irmãos
e a mim a voltar estudar.
Em 1992, passei num concurso para servente
escolar e nesse mesmo período, voltei
a estudar. Terminei a oitava e o terceiro
colegial. Depois fui fazer um cursinho comunitário,
no Butantã. Como havia muitos alunos
e professores que moravam em Carapicuíba,
tivemos a idéia de montar um na cidade
para atender alunos carentes daqui. Então,
em 1999 foi criado o Prestes Vestibulares.
Estudei nele e hoje faço Pedagogia
na PUC. Minha irmã caçula
faz Química na UNESP e o meu irmão
Rivaldo tenta uma vaga na FATEC. Atualmente,
coordeno as atividades pedagógicas
desse projeto, o que é um grande
orgulho para mim poder contribuir com as
pessoas mais carentes e dar bons exemplos
aos meus filhos.”
Tarcísio
Lucena Martins, 30 anos
Em 2003, entrou para o curso de História
na PUC, com sistema de bolsa (70%) que começará
a pagar um ano depois de formado.
“Para mim que vi esse projeto
nascer, destaco a importância de existir
uma cursinho comunitário na periferia
da cidade. Os anos que estudei e que participei
foram fundamentais que mostraram o valor
de trabalhar coletivamente e de resgatar
a cidadania de quem perdeu a auto-estima.
Me ajudou a ser mais crítico no meu
dia-a-dia e hoje aplico isso na universidade.
As pessoas que saem do Prestes desenvolvem
sensos crítico e de cidadania, que
os levam a lutar mais por seus direitos
e quando chegam à universidade agarram
sua vaga com muito afinco. É como
uma rua de duas vias, quem entra quer voltar
para dar sua contribuição
ao projeto. Sinto uma felicidade muito grande
em dar aula no próprio lugar em que
estudei. Ajudar outras pessoas a chegarem
aonde estou eleva a nossa auto-estima de
todos que integram o projeto. Enfim, é
muito gratificante e minha vida mudou muito,
e para melhor, depois que passei a dar aula.”
Ricardo
Gregório Milani
Aprovado em Geografia, na PUC, tem bolsa
de 50% e o restante pagará depois
de formado.
“Depois de 11 anos na escola pública,
enfrentar os vestibulares das melhores universidades
do pais e praticamente uma utopia. Mas a
utopia deve ser encarada como algo possível
de alcançar, o cursinho Prestes mostrou-me
isso num momento decisivo da minha vida,
pois foi aqui que comecei a acreditar que
era possível levar os estudos adiante.
Num país onde a universidade pública
atende basicamente os “20% privilegiados
da sociedade e fundamental que projetos
com o intuito de diminuir a distância
entre classes da nossa sociedade sejam apoiados.
Este projeto elevou minha perspectiva de
vida e após 2 anos de inclusão
passei de aluno para professor do cursinho,
não posso deixar de mencionar que
quando procurei um cursinho para estudar
este foi o único que atendia a minha
situa;ao financeira.
Para aqueles que pretendem crescer na vida,
o ingresso no curso comunitário é
um bom caminho pois além de estudar,
o cursinho também mostra de forma
pratica que você pode fazer algo para
o desenvolvimento do nosso pais.”
“Estudei até a sexta série
e em 1997, fiz telecurso, com eliminação
de matérias. O conteúdo aprendi
mesmo no cursinho. E isso foi fundamental
para minha aprovação na PUC,
onde consegui 100% de isenção.
Aprendi a conviver com pessoas diferentes,
fiz amizades e vale destacar o caráter
solidário.” O marido está
batalhando voltei estudar pensando nelas,
senão como ajudaria elas a terem
estudo. 34 anos e duas filhas”- IEDA
-
Regina
Lourenço
Aprovada em 2003, no curso de Logística
com ênfase em Transportes, na FATEC.
“Fiz dois anos de outro cursinho
e achei as pessoas muito distante, não
tive o apoio que encontrei no cursinho.
Dedicação do professores em
ajudar os aluno e dos próprios alunos
em ajudar os colegas (grupo de estudos direto
sábado domingo iam colegas que já
tinham passado. Esse negócio de ajudar
de grupo de estudos, não tinha isso.
Faz eventos com a turma, vai ao teatro.
Acho isso muito legal. E aí fui melhorando
e ter mais confiança para fazer a
prova. O cursinho deu um ânimo novo,
achei que não tivesse capacidade,
mas meu ingresso na FATEC mostrou o contrário.
Até pretendo voltar a desenvolver,
ajudar continuar atividades abertas continuará
participando”.
Franklin
dos Santos Gomes
Cursa Produção com ênfase
em Plástico, na FATEC, ingressou
no começo 2003.
“O cursinho para mim foi tudo.
Voltei a estudar por causa dele. Como abriu
muitas portas”
Carlos
Batista Aguiar Rosa
Aprovado na Unesp e na Ufscar, cursa Biblioteconomia
em São Carlos.
“O Cursinho Prestes "cruzou"
o meu caminho em uma época de poucos
incentivos e visão de possibilidades.
Queria fazer o curso em uma universidade
boa e pública, mas ao mesmo tempo
não havia tido uma boa base para
isso no 1º e 2º graus. Precisava
de um cursinho como grande parte das pessoas
na minha situação. Infelizmente
a escola primária e secundária
publicas além de não dar uma
boa base para que enfrentemos um vestibular
como o das Universidades Federais, também
não incentivam seus alunos a procurarem
um caminho promissor depois saem de lá,
aliado a isso está a falta de cultura
de muitas famílias que, não
por não quererem, mas por não
poderem auxiliar e muitas vezes nem incentivar
seus filhos nesta jornada. A consciência
da pessoa em procurar e lutar por algo melhor
para si ainda é a sua grande alavanca
e foi a minha em particular. Ao sentir aquele
clima diferenciado de pessoas que batalhavam
com tanta dificuldade para conseguir continuar
seus estudos que na maioria das vezes era
precedido pelo trabalho integral como no
meu caso, tive cada vez mais força
para continuar e lutar, sem nunca pensar
que podia perder aquele tempo, pois a partir
do momento que entrei no Prestes mesmo antes
de ver as matérias eu já comecei
a aprender. Nisso eu acho que o Prestes
vestibulares não falhou com ninguém
que tinha um sonho no ano que lá
estive. Trago boas lembranças de
convivência e aprendizado com os amigos
q conheci lá, dos professores q davam
uma "injeção"de
ânimo em nós a cada dia e é
claro de toda a bagagem q recebi e usei
nas minhas vitórias. Gostaria de
aproveitar e dizer que nesta fase de crescimento
do Prestes (eu freqüentei o seu 2º
ano de vida), jamais intenções
que deixem de lado esta valorização
e incentivo do aluno que vem de baixo, sejam
colocadas em prática. Acima de tudo
o caráter "comunitário"
não pode morrer, pois tenho certeza
que, assim como para mim, para muitos outros
ele também será um dos degraus
mais importantes do caminho a uma vida melhor.
Quando estive lá, estimava muito
o companheirismo dos alunos e principalmente
dos professores. Isso não deixava
barreiras para muitas conversas decisivas
para a escolha e afirmação
das carreiras”.
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